As eleições presidenciais de 2026 entram na reta final com disputa concentrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas pesquisas recentes também medem o desempenho de nomes como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Os levantamentos divulgados entre 11 e 15 de setembro mostram Lula numericamente à frente no primeiro turno, enquanto o segundo turno contra Flávio aparece apertado e, em alguns institutos, dentro da margem de erro.
A eleição tem primeiro turno marcado para 4 de outubro de 2026. Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro de 2026, conforme calendário informado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O que o TSE confirmou sobre a eleição presidencial
Segundo o TSE, 12 candidaturas estão na disputa pela Presidência da República nas eleições gerais de 2026. A Corte informou em 11 de setembro que validou as chapas apresentadas pelos partidos e indeferiu o registro da chapa de Pablo Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB.
Entre as chapas validadas estão Lula e Geraldo Alckmin, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, Romeu Zema e Eduardo Girão, Renan Santos e Aroldo Medina, Samara Martins e Raquel Brício, Augusto Cury e Júlio Delgado, além de candidaturas de partidos menores.
O retrato das pesquisas mais recentes
Pesquisas eleitorais são fotografias do momento em que foram realizadas. Elas não antecipam o resultado da eleição e devem ser lidas junto com margem de erro, amostra, método de coleta, datas de campo e registro na Justiça Eleitoral.
| Pesquisa | Divulgação/campo | 1º turno | 2º turno Lula x Flávio | Metodologia |
|---|---|---|---|---|
| CNT/MDA | 15/09; entrevistas de 9 a 13/09 | Lula 40,6%; Flávio 30,4%; Cury 6%; Caiado 3%; Renan 2,7% | Lula 47,3%; Flávio 40% | 2.002 entrevistas presenciais; margem de 2,2 p.p. |
| Quaest | 14/09; entrevistas de 10 a 13/09 | Lula 36%; Flávio 31%; Cury 7%; Renan 4%; Caiado 4%; Zema 1% | Flávio 42%; Lula 40% | 2.004 entrevistas presenciais; margem de 2 p.p.; registro BR-03607/2026 |
| BTG/Nexus | 14/09; entrevistas de 11 a 13/09 | Lula 42%; Flávio 37%; Cury 6%; Caiado 5%; Renan 2%; Zema e Samara 1% | Lula 47%; Flávio 46% | 2.003 entrevistas por telefone; margem de 2 p.p.; registro BR-04076/2026 |
| Datafolha | 11/09; entrevistas de 8 a 10/09 | Lula 39%; Flávio 35%; Cury 6%; Caiado 4%; Renan 3%; Zema 2% | Lula 46%; Flávio 44% | 2.002 eleitores em 125 municípios; margem de 2 p.p.; registro BR-01833/2026 |
O que os números indicam agora
O ponto comum entre os levantamentos recentes é a liderança de Lula no primeiro turno. A diferença em relação a Flávio Bolsonaro varia de acordo com o instituto: é mais ampla na CNT/MDA e mais estreita em Datafolha, Quaest e BTG/Nexus.
No segundo turno, o quadro é mais disputado. Datafolha e BTG/Nexus mostram Lula numericamente à frente, mas com vantagem pequena. A Quaest mostra Flávio numericamente à frente, também dentro da margem de erro. A CNT/MDA aponta vantagem maior para Lula no confronto direto.
Na prática, a leitura mais cautelosa é que a eleição segue polarizada e competitiva. Lula preserva força entre eleitores de menor renda, no Nordeste e entre grupos historicamente próximos ao PT. Flávio concentra desempenho mais forte em segmentos conservadores, no eleitorado evangélico e em parte do Sudeste, segundo recortes divulgados por institutos e veículos que publicaram as pesquisas.
Fotos e perfil dos principais presidenciáveis
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Vice na chapa: Geraldo Alckmin (PSB). Presidente e candidato à reeleição, aparece na liderança do primeiro turno nos levantamentos mais recentes.
Flávio Bolsonaro (PL)

Vice na chapa: Alfredo Gaspar (PL). Senador pelo Rio de Janeiro e principal adversário de Lula nas pesquisas, com disputa apertada no segundo turno.
Augusto Cury (Avante)

Vice na chapa: Júlio Delgado (Avante). Escritor e psiquiatra, ocupa a faixa mais competitiva entre os nomes fora da polarização Lula-Flávio.
Ronaldo Caiado (PSD)

Vice na chapa: Gilberto Kassab (PSD). Governador de Goiás, aparece nas pesquisas em patamar intermediário entre os candidatos alternativos.
Renan Santos (Missão)

Vice na chapa: Aroldo Medina (Missão). Fundador do MBL e nome do partido Missão, aparece entre os principais candidatos de fora do eixo PT-PL.
Romeu Zema (Novo)

Vice na chapa: Eduardo Girão (Novo). Governador de Minas Gerais, disputa espaço como candidato liberal, mas aparece abaixo dos líderes nas pesquisas.
Lula e Flávio concentram a disputa
A campanha de 2026 repete parte da lógica de polarização dos últimos anos, mas com uma mudança importante: Flávio Bolsonaro assumiu o posto de principal adversário do presidente Lula no campo da direita. Isso reorganizou palanques, debates e estratégias de comunicação.
Lula tenta defender a continuidade de programas sociais, emprego, renda e políticas públicas associadas ao governo federal. Flávio busca transformar a eleição em plebiscito contra o PT, com ênfase em segurança pública, pautas conservadoras, crítica ao Supremo Tribunal Federal e defesa do legado político da família Bolsonaro.
Quem tenta furar a polarização
Augusto Cury aparece como o nome mais competitivo fora da disputa direta entre Lula e Flávio em parte dos levantamentos. O escritor tenta ocupar um espaço de centro, com discurso sobre saúde mental, educação emocional e reformas institucionais.
Ronaldo Caiado e Romeu Zema disputam eleitores interessados em gestão estadual, segurança pública, ajuste fiscal e agenda econômica mais liberal. Renan Santos, por sua vez, tenta transformar a base digital e o histórico do MBL em força eleitoral nacional pelo partido Missão.
Apesar disso, os números recentes mostram que nenhum desses nomes conseguiu, até agora, romper a barreira principal da polarização. Eles podem influenciar a campanha de duas maneiras: tirando votos no primeiro turno e se tornando peças importantes em eventual segundo turno.
Por que as pesquisas podem divergir
É normal que pesquisas publicadas na mesma semana apresentem diferenças. Isso ocorre porque cada instituto usa desenho amostral, forma de coleta e questionário próprios. Levantamentos presenciais, por telefone e pela internet podem captar públicos de formas diferentes.
Outro ponto importante é a data do campo. Uma pesquisa feita entre 8 e 10 de setembro não mede necessariamente o impacto de fatos políticos divulgados depois disso. Em campanha curta, poucos dias podem mudar o ambiente de informação do eleitor.
O que observar nas próximas semanas
- Se Lula mantém ou amplia a liderança no primeiro turno.
- Se Flávio Bolsonaro consegue reduzir a diferença e consolidar vantagem em regiões estratégicas.
- Se Augusto Cury, Caiado, Renan ou Zema conseguem crescer entre eleitores que rejeitam a polarização.
- Qual será o comportamento de indecisos, brancos e nulos na reta final.
- Como debates, propaganda eleitoral, crise institucional e economia afetarão o voto útil.
Como ler pesquisa eleitoral sem cair em armadilha
O eleitor deve evitar olhar apenas para quem aparece numericamente na frente. Quando a diferença está dentro da margem de erro, o resultado indica empate técnico. Também é importante comparar séries históricas do mesmo instituto, porque elas mostram tendência com mais segurança do que pesquisas isoladas.
Outra cautela é observar se a pesquisa é estimulada ou espontânea. Na estimulada, o entrevistado recebe uma lista de nomes. Na espontânea, ele responde sem lista. A espontânea costuma mostrar maior volume de indecisos, principalmente antes da reta final.
Resumo da corrida presidencial
Até 15 de setembro de 2026, Lula lidera numericamente o primeiro turno nos principais levantamentos recentes. Flávio Bolsonaro é o adversário mais competitivo e aparece em empate técnico ou disputa apertada em cenários de segundo turno. Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema formam o bloco principal de candidatos que tentam crescer fora da polarização.
A eleição, porém, ainda depende da reta final de campanha, da mobilização de eleitores, do comportamento de indecisos e da leitura pública sobre economia, segurança, serviços públicos e crise institucional. Por isso, os números devem ser acompanhados como tendência, não como sentença.
Fontes consultadas
- TSE – Eleições têm 12 candidaturas na disputa pela Presidência da República
- Folha/Datafolha – pesquisa presidencial divulgada em 11/09/2026
- UOL – levantamento com pesquisas Quaest, BTG/Nexus, Palver e Meio/Ideia
- UOL – pesquisa CNT/MDA divulgada em 15/09/2026
- UOL – pesquisa BTG/Nexus divulgada em 14/09/2026
- Folha – propostas e perfis dos candidatos à Presidência
- Wikimedia Commons – foto de Luiz Inácio Lula da Silva
- Wikimedia Commons – foto de Flávio Bolsonaro
- Wikimedia Commons – foto de Augusto Cury
- Wikimedia Commons – foto de Ronaldo Caiado
- Wikimedia Commons – foto de Renan Santos
- Wikimedia Commons – foto de Romeu Zema















